Sim, eram componentes mecânicos, alguns eletrônicos. Nada de chips, LCDs. Este é o computador de navegação mecânica das naves Soyuz (ou do início da carreira destas naves, que ainda estão operando quase 60 anos após seu projeto inicial).
O principal objetivo do Globus (em russo, "Индикатор Навигационный Космический" - indicador de navegação espacial) era indicar a posição da espaçonave. O globo girava enquanto as miras fixas na cúpula de plástico indicavam a posição da espaçonave. Assim, o globo correspondia à visão que os cosmonautas tinham da Terra, permitindo-lhes confirmar sua localização. Dispositivos de medição de latitude e longitude ao lado do globo forneciam uma indicação numérica da posição. Enquanto isso, um mostrador de luz/sombra na parte inferior mostrava quando a espaçonave seria iluminada pelo sol ou estaria na sombra, informações importantes para a acoplagem. O Globus também tinha um contador de órbitas, indicando o número de órbitas.
Globus ИНК (INK) - Vista frontal
O Globus possuía um segundo modo, indicando onde a espaçonave pousaria se ativassem os retrofoguetes para iniciar um pouso. Ao acionar um interruptor, o globo girava até que a posição de pouso estivesse sob as miras, e os cosmonautas poderiam avaliar a adequação deste local de pouso.
Os cosmonautas configuravam o Globus girando botões para definir a posição inicial da espaçonave e o período orbital. A partir daí, o Globus acompanhava a órbita de forma eletromecânica. Diferente do Computador de Navegação Apollo, o Globus não recebia informações de navegação de uma unidade de medição inercial (IMU) ou outras fontes, portanto, não conhecia a posição real da espaçonave. Era puramente uma exibição da posição prevista.
Soyuz "Globus" Mechanical Navigation Computer Part 3: Landing Function
Uma explicação mais detalhada está neste interessantíssimo blog de Ken Shirriff:
Inside the Globus INK: a mechanical navigation computer for Soviet spaceflight